quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Otimismo

        No mundo de hoje predomina o movimento otimista. Quase existe um preconceito em ser melancólico e tristonho, hummm... "quase", não... todo mundo se afasta de pessoas pessimistas, a discriminação corre solta.
        É claro... é impossível viver desesperançoso, mas segundo Luiz Felipe Pondé, um pouco de melancolia é necessário: o pessimismo têm prevalência no mundo intelectual.
        Pondé disserta que um ser humano extremamente feliz não deve saber o que está acontecendo à sua volta: ou é alienado, ou completamente ignorante. Mesmo no campo das religiões (cristãs principalmente) a duplicidade é notável, por um lado a humildade, fraternidade e por outro o castigo e as tentações.
        O Otimismo tem dois grandes aliados na história humana: a Ciência e a Democracia liberal que visam o bem-estar do todos. E o otimismo venceu, afinal, atualmente, os estados mais liberais e tecnológicos tendem a atrair cidadãos de outras nacionalidades em busca da felicidade.
        No entanto, o otimismo exagerado têm seus problemas... historicamente, em nome da ciência e do progresso, cometemos crimes hediondos como no regime nazista da Alemanha, onde todos estavam felizes com a melhoria e vitórias conquistadas à custa da tortura e morte de gente cuja única culpa foi nascer de determinada raça... Limpeza genética era o objetivo.
         E a dúvida é pessimista, ir contra a maioria é triste, mas é vital. Como diz o ditado: "Toda unanimidade é burra".
         Seria o pessimismo mais inteligente? ... talvez ...
         Sabemos hoje que o Capitalismo é o único sistema financeiro que funciona junto com a Democracia, e ela é otimista na sua essência, afinal ela sobrevive da fé entre as pessoas. Quando há uma crise é dito: "crise de crédito na praça", crédito vem da palavra crer e, daí, o jargão "Você não pagou a seus credores!". E o capitalismo vai mais além quando todos os empresários crêem que seus lucros devem sempre subir e colocam na mídia uma enxurrada de mensagens diretas e subliminares de como devemos consumir para que sejamos como eles.
          Talvez seja a hora de colocarmos um pouco de pessimismo em nossas vidas e repensarmos se tudo que está acontecendo é realmente o mais correto. Pensemos no mundo de nossos filhos e netos, sem o egoísmo de nossas vidas prazerosas que desfrutamos hoje.
           Continuar a ceifar folhas como um formigueiro numa floresta devastada pode estar decretando o fim de todos e da próxima geração também, mas as formigas somente seguem seu instinto. Não refletem sobre o seu futuro.
            Estamos agindo como numa corrida de cães, perseguindo a lebre mecânica sem um objetivo concreto a não ser o petisco imediato. Nesse caso, o gato, que não se submete a caprichos humanos seja o exemplo a ser seguido... ele encontra alternativas, não precisa ir ao encontro do que os outros estão fazendo, pois não acha que o que é bom para a maioria será o melhor para ele ou para o mundo.