quinta-feira, 20 de março de 2014

Vida Eterna

       Se lhe fosse ofertado a VIDA ETERNA. Qual seria a sua resposta?
       A maioria, sem pestanejar, aceitaria como se fosse uma benção. Mas pensando muito bem sobre o assunto... seria mesmo uma... dádiva?
       Procurando exemplos no cinema americano, os imortais mais comuns são os vampiros e, vejam, Drácula, Nosferatu e, mais recentemente, os personagens da trilogia "Crepúsculo"... Todos os vampiros são melancólicos ou extremamente sádicos. O porquê, talvez, seja devido à perda dos entes queridos e, também, porque tudo vai ficar sem graça, não vai haver novidades ou novas experiências para nos estimular.
       No filme Highlander, o personagem principal encontra o amor muito cedo e passa séculos vivendo apenas de suas lembranças.
       Em Zardoz, outro filme com Sean Connery, este encontra uma sociedade de imortais que vivem todos jovens bonitos, vivendo em abundância e paz em uma vida rural e agrícola mesclada com alta tecnologia biogenética e eletrônica. O resultado é a esterilidade, solipsismo, frieza, indiferença com o próximo, todos condenados ao tédio e à imortalidade. E pior: suas memórias foram geneticamente apagadas para não lembrarem-se como tudo começou com seus pais cientistas. Porém, o mal-estar permanece e o sintoma é o tédio enlouquecedor.
        Agora, entrando na esfera religiosa, podemos citar três exemplos:
        - Católica: quando morremos ficamos em estado de "transe" até que no Apocalipse ou julgamento final, nossos corpos ressuscitarão para sermos mandados para o céu (paraíso) ou Inferno ou ainda o Purgatório, dependendo de nossas atitudes enquanto vivos. A eternidade será de adoração a Deus ou tormento infinito nas chamas de Lúcifer.              
        Problemas: - Uma eternidade de ócio não me parece ser sinônimo de paraíso.
                          - Passar a eternidade sabendo de um parente ou amigo querido pecador queimando e sofrendo para sempre, não encaixa no que chamo de "paz de espírito".
        - Espiritismo: na morte nosso "perispírito" se liberta do corpo e ascendemos à um plano espiritual superior onde somos socorridos ou, devido a fluídos negativos, o espírito é atraído para o Umbral, onde espíritos revoltos e raivosos vivem. Após uma auto-reflexão o espírito é obrigado a reencarnar para expiar erros e/ou aprender novas lições com uma nova vida retornando como um embrião.
         Problemas: - ao reencarnar o espírito não é capaz de lembrar de sua vida anterior. Passar por todas as mesmas experiências da infância, juventude e velhice. Sem as memórias, como progredir?
         - Budismo: todo ser humano vive, nasce e morre. Existe uma força vital que nos acompanha, mas o retorno após a morte é imediato sem lembranças do passado também. Nosso objetivo é visualizarmos que tudo isso é uma ilusão e, assim, escaparmos da roda da vida.
         Problemas: - Ninguém explicou o que acontece depois de atingirmos a Iluminação.
       
         De qualquer forma, o que quero explicar aqui é que uma existência garantida não nos estimula, sensações repetidas viram tormento mesmo as agradáveis. Então, uma vida mais longa seria desejável, mas uma vida eterna seria uma maldição.

          Melhor uma vida curta, mas vivida com propósito do que a eternidade num vazio existencial.

          Seja como seu cão.... vive pouco, mas vive intensamente.