quarta-feira, 25 de junho de 2014

Conversas

     Há um texto que diz:
     - Pessoas pequenas conversam sobre outras pessoas, Pessoas comuns conversam sobre coisas, Pessoas grandes conversam sobre idéias.
     Outro texto foi atribuído a Sócrates:
     - Numa conversa se lhe ocorrer a vontade de compartilhar com os demais lembre-se das três peneiras:
     1) Verdade:  Pergunte-se se você tem certeza de que esse fato é absolutamente verdadeiro. Se lhe sobrar no espírito alguma dúvida ou receio, então, não pode ser tido como verdadeiro.
     2) Bondade: “Pergunte-se se o que você vai contar, mesmo que seja verdade, se gostaria que os outros também dissessem a seu respeito”. Se por qualquer motivo lhe causar horror ou transtorno, então não pode ser tido como algo bondoso.
     3) Necessidade: Pergunte-se se você acha mesmo realmente necessário contar esse fato ou mesmo passá-lo adiante ? Respondendo : Por que ? A pessoa te deu esta liberdade ? Isto irá beneficiá-la ? Irá fazer-lhe algum bem ?
     Se o que você irá contar realmente passou pela terceira peneira, então, poderá passar adiante.
   
     Interessante e pode ser aplicado, mas é quase impossível se ater a essas regras, principalmente na informalidade... e é no lazer que ocorrem as conversas mais divertidas e memoráveis.
     Vendo por esse ponto as conversas podem ser classificadas da seguinte forma:
      1) Conversas sobre nada (dizem que sou muito bom nisso). O famoso papo-furado que não acrescenta em nada, mas diverte e nos faz rir. Envolve pessoas, idéias, coisas, nem sempre é verdade e nem de longe existe a necessidade. Foge completamente das regras acima, mas ajuda a passar o tempo e elimina completamente a solidão.
      2) Conversa sobre coisas. Essa conversa abrange negócios, trabalho, conhecimento, experiência... Normalmente coloca um interlocutor como palestrante e outro como ouvinte, ou ainda, um debate de pontos de vista diferentes. Sempre que participo dessas conversas me vejo numa posição de superioridade, inferioridade ou conflito. Pode acrescentar muito na vida se estiver disposto a ouvir, mas se a idéia discutida já tiver consolidada dentro de si, a saliva vai ser gasta inutilmente.
      3) Conversa sobre sentimentos. A mais evitada de todas as conversas. Quase ninguém se expõe e, certamente, deveria ser o tema central de todas as conversas. Quando alguém vai falar sobre isso, normalmente recorre a um profissional (psicólogo, psiquiatra ou padre) para que o conteúdo fique em sigilo. Que mundo é esse onde as pessoas se sentem fragilizadas ao se abrirem inteiramente para outra? Tudo que vivemos é mentira, então?!... ou... não podemos ser imperfeitos para ninguém, sob o risco de usarem nossas imperfeições contra nós mesmos, sendo que essas imperfeições existem na grande maioria das pessoas, mas têm vergonha de mostrar.
     
       Felizmente tenho meus cães que me ouvem sempre, sobre todos os sentimentos, angústias... e eles me respondem com o olhar... e isso basta!

                                            

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Filosofia, Amor e Ética

          Segundo o Professor e Filósofo Clóvis de Barros Filho o ato de doar (dar aquilo que te pertence para outrem) se divide em dois: o doar sem reflexão que é o Amor e a doação pela razão que é a sua cópia, a Generosidade (há a opção de não doar, mas existe o benefício maior no contrário) e só aquele que doa pode saber qual a diferença.
          Fidelidade, Tolerância também são virtudes morais que imitam o Amor. Mas qual o sentimento que corresponde ao Amor? Para isso ele se socorre em três grandes pensadores, porém todos são divergentes.
          O primeiro é Platão, matemático e filósofo grego. Famoso pela expressão "amor platônico", cuja definição é confusa e um pouco avessa ao conceito original. Em sua obra "O Banquete" ele disserta sobre o Amor. Platão chama o Amor de "Eros" e ele, simplesmente, o define como desejo. Você ama aquilo que deseja quanto mais você deseja, mais você ama. O desejo é aquilo que falta, você deseja sempre aquilo que não possui. Do momento que você tem, o amor não existe mais. A vida seria terrível se Platão tivesse razão, mas a sociedade atual imprime essa definição, como exemplo as empresas atuais exigem metas, e metas nada mais são que o dinheiro que ainda não temos e desejamos alcançar. E ficamos sempre como o burro com a cenoura amarrada em sua frente, saindo da zona de conforto: ginásio, colegial, faculdade, estágio, emprego, gerência, diretoria, presidência... e quando alcançamos a "meta" outra meta nos é apresentada e a vida nunca começa, torcemos pelo fim-de-semana, torcemos pelo feriado, torcemos pelas férias, torcemos pelo final-do-ano... e quando vemos estamos torcendo para a vida acabar.
           Aristóteles define Amor como Alegria, alegria pela presença. A satisfação por aquilo que você já possui, uma reconciliação com o mundo atual. Não somos preparados para a alegria, fomos educados para o desejo. Aristóteles chama o Amor de "Philia" que é a passagem para um estado mais potente do próprio ser, o sentimento de se sentir energizado nos momentos em que a alegria passa pela nossa vida. Amar tudo aquilo que te alegra. Tendo essa como definição: a simplicidade é a chave para uma vida mais feliz, afinal aquele que se alegra com coisas simples tem mais oportunidades de ser feliz do que aquele que só se contenta com complexidades.
           A terceira definição de Amor é "Agape" o amor de Cristo. Talvez seja o caminho certo para a felicidade: em Eros (Platão) o Amor é o alvo a ser alcançado e quando alcançado é imediatamente trocado... é um amor centrado no amante, no que faz falta ao amante, o amado pode ser trocado constantemente. Em Philia (Aristóteles) o amado é um instrumento para a felicidade do amante, o amado deve alegrar o amante, o amado é um instrumento da felicidade do amante. Em Ágape o que importa é o amado, você abre mão de seu desejo e de sua alegria pelo desejo e alegria do outro. Indo além, o amor de Cristo é pelo próximo e por "próximo" entendemos ser "qualquer um". É o mais perfeito, mas também o mais difícil de se alcançar, pois necessita de um desapego tal que anule o ego completamente.
            Podemos ver o Amor de Platão na maioria dos animais... Podemos ver o Amor de Aristóteles nos cães... Mas o Amor de Cristo "Ágape", esse só pode ser alcançado por humanos, pois vai de encontro aos nossos instintos de sobrevivência forjados com milhões de anos de evolução e, somente nós, podemos sobrepujar a natureza com a nossa consciência. Talvez será necessário mais um passo no progresso do "Homo sapiens sapiens" para atingir o Ágape.